Eu tenho um vício muito imbecil quando escrevo que é o de colocar título no texto antes mesmo de escrevê-lo, e geralmente quando faço isso não por acaso a narrativa fica presa, e sem muita surpresa, ruim. Isso estava acontecendo de novo, quando eu colocava o título deste post: "Me 2: The Próximo Step (Eu 2: O Next Passo)". Imagino que o pessoalzinho que entende um pouco de inglês e de lógica leu o segundo dois como two, e quem entende de gramática entendeu a brincadeira das parônimas, mas isso é completamente irrelevante haja visto esse não ser o título deste texto. No momento eu ainda não sei qual vai ser, mas o leitor já sabe, e isso é bastante intrigante do ponto de vista metafísico, uma vez que antes de mim neste ponto do texto, o leitor já sabe o título que darei a ele quando estiver concluído. Refletindo agora sobre isso, acho que esse é o caráter do meu vício, tornar a minha experiência o mais próximo possível da do leitor, uma vez que ao escrever, estou lendo minha mente, e a sequência natural dos textos é que seus títulos venham primeiro, mas escolho o contrário desta vez por motivos vários entre eles minha busca por eliminar todos os vícios em mim, e para não conceber algo condicionado a um paradigma de cabeçalho.
Ao ponto.
Esta semana, que começou domingo ontem 06/06/2010, tomei a decisão mais acertada não é a palavra, convicta também não mas quase, talvez sóbria passe perto ou muito longe, busco, busco, busco, qual seria essa palavra que descreve a alma da minha decisão... (tempo passando)... verdadeira me chamou coerente! Coerente! Coerente com tudo o que penso, sinto, sou, intuo, transmito, transpiro, vivo. A decisão mais co-e-ren-te de toda a minha vida. Tive uma conversa (quase) definitiva com meus pais a respeito do meu futuro, em que tudo que foi dito deveria mesmo ter sido dito, mas o segundo ponto destacado por mim foi colocado em xeque, e ao final da conversa eu abri mão do que realmente quero: jogar pôquer profissionalmente.
As resoluções não me agradaram mas naquele momento eu fiz que sim. A propósito em primeira mão para vocês: eu não vou ser engenheiro. Acabei de abandonar a engenharia. Demorei demais para tomar essa decisão e agora que aconteceu, parece que um caminhão carregado de pedras e aço saiu das minhas costas. Estou aliviado.
Nunca antes em toda a minha vida eu tive certeza do que eu realmente queria. Minha mãe me disse durante a conversa: mas Saulo, você não sabe o que quer da vida! Errado mãe! Agora eu sei! E vou seguir a minha intuição, infelizmente para desgosto de vocês. Eu sei que esse desgosto vai ser momentâneo, pois quando a gente faz o que gosta e é feliz, nossos pais também ficam felizes. Eles só querem o nosso bem.
O caminho que escolhi vai ser de poucas rosas e muitos espinhos. A profissão de jogador de pôquer é muito nova, e ainda esbarra em muito preconceito e desinformação.
A questão da moral: - Eu não acho certo você viver às custas da desgraça dos outros. Enquanto você ganha, outros estão perdendo.
Esse argumento é falho, uma vez que ganhar e perder faz parte da estrutura capitalista. Para alguém fazer dinheiro no mercado de ações, pessoas perdem. Ou vocês acham que dinheiro se cria do nada? Pessoas são demitidas e empresas quebram; para um industrial obter o lucro desejado com sua empresa ele tem que pagar menos do que os funcionários merecem, ou seja, está tirando dinheiro deles, esse é o conceito de mais-valia; quando você vê alguém desesperado vendendo um carro que vale pelo menos 30 mil reais por 24 mil, por acaso você diz ao vendedor: "olha, eu sei que você está desesperado, mas seu carro vale 30 mil e é isso que eu vou pagar por ele"? Não, você está se aproveitando da situação, e isso é totalmente aceitável! Você ainda colhe os louros de ter feito "um grande negócio". Você desgraçou a vida daquela pessoa, mas sai com a sensação de que a ajudou. Quer saber? É exatamente assim que eu me sinto ao ganhar uma mão quando preparo uma armadilha para o adversário: eu fiz a ele o favor de mostrar uma deficiência em seu jogo, e se ele for inteligente não irá repetir o mesmo erro. Acontece que isso tudo está tão engendrado na sociedade que ninguém mais percebe.
A questão do vício: - Você está viciado nisso, mas não consegue enxergar!
Não há como discordar do fato de que qualquer tipo de jogo pode viciar. Video-game, RPG, bocha, futebol... baralho então nem se fala! Muitas pessoas se tornam compulsivas e acabam prejudicando suas vidas e de seus familiares dispendendo energia, tempo e dinheiro além dos limites do aceitável em seus jogos. Acontece que todas as pessoas que pratiquem o pôquer, irão sofrer em algum momento essa crise de compulsividade caso se interessem profundamente pelo jogo. Eu já sofri. Mas um dos pré-requisitos para você pensar em se profissionalizar é ter superado essa fase. Por dois motivos: primeiro é saber selecionar os jogos e horários que se mostram mais lucrativos pra você, aqueles que têm os piores jogadores ou o período do dia em que você se sente melhor jogando. O outro motivo é saber identificar os dias em que você não está bem emocionalmente e parar. Compulsividade para o profissional é sinônimo de prejuízo. Ser viciado e compulsivo não é saudável, e no caso do pôquer tem poucas chances de ser lucrativo.
A questão da falência: - Mas você pode passar 10 anos ganhando e um dia perder tudo!
Esse pensamento está definitivamente ultrapassado. Todo mundo já ouviu inúmeras histórias de parentes ou conhecidos que "perderam tudo no jogo" e desgraçaram suas famílias. Não questiono a veracidade dessas histórias, isso realmente pode ter acontecido e ainda vai acontecer a muitas pessoas. Mas hoje em dia, um dos requisitos fundamentais para o sucesso do jogador de pôquer é saber administrar seu bankroll (caixa disponível para jogar) com inteligência. Por exemplo, se um jogador com um bom desempenho no nível escolhido investir sempre de 0,25 a 1% de seu bankroll em cada torneio, a chance de falência é zero! Ele pode suportar uma sequência improvável de 30 derrotas seguidas sem que isso afete sua estabilidade emocional, pois administrativamente ele está fazendo a coisa certa, e seu bankroll ainda está lá, pronto para ser investido. Quando o caixa diminui, devido à oscilação natural do jogo chamada pelos matemáticos de variância, o jogador diminui o valor médio das entradas que compra, até que a situação se estabilize novamente. E para aqueles que estudam e se dedicam, a situação tende sempre a melhorar no longo prazo. Nenhum jogador que faça sua vida no pôquer coloca tudo a perder em cinco ou seis tiros, pois se fizer irá falir.
A questão da legalidade: - Você é louco de querer viver de pôquer, ele pode ser proibido a qualquer momento!
Improvável, mas isso teremos que pagar pra ver. A cada dia que passa a comunidade do pôquer vem acumulando mais e mais vitórias. A lei a que os repudiadores do jogo se referem quando combatem a atividade é o antigo artigo 50 do Decreto-Lei no 3688 de 1941, que proíbe a prática de jogos de azar no Brasil. Segundo ele consideram-se jogos de azar: a) o jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte; b) as apostas sobre corrida de cavalos fora de hipódromo ou de local onde sejam autorizadas; c) as apostas sobre qualquer outra competição esportiva.
Mas para se ter uma idéia de como esse artigo não se aplica ao pôquer e precisa ser revisado, numa ação movida em março no Espírito Santo, contra uma agremiação de Texas Holdem (que é a modalidade mais praticada de pôquer), quando a polícia invadiu um torneio e apreendeu os materiais do clube, constrangendo os praticantes e levando os organizadores a prestar esclarecimentos, a justiça capixaba deu parecer favorável à atividade, pois ficou provado o que já é sabido pelos adeptos. Com a apresentação de estudos e livros sobre o esporte, a defesa demonstrou que o Texas Holdem é um jogo onde a habilidade do jogador prevalece sobre a sorte, uma vez que variáveis como memorização, noções probabilísticas, paciência, tática e estratégia são determinantes para uma vitória em proporções muito superiores à sorte, abrindo um precedente para futuras decisões semelhantes no Brasil. Muitas decisões desta natureza já ocorreram na maioria dos estados dos EUA. Em abril o pôker foi reconhecido pela International Mind Sports Association como esporte da mente e se juntou à esportes clássicos de confederações poderosas como o xadrez e o gamão. Na Rússia e na Ucrânia já é reconhecido oficialmente como esporte. Na Itália houve a regulamentação do pôquer online. Cabe a nós apaixonados darmos coro e sermos ativistas da regulamentação definitiva de nossa atividade. Vai ser difícil pois o preconceito, a desinformação e a ignorância reinam na sociedade e não seria diferente entre nossos legisladores. Mas história sempre nos mostrou que a razão humana, cedo ou tarde, triunfa sobre a ignorância.
Tenho um sonho e lutarei por ele. Sei também que apenas o segundo grau completo não me deixaria realizado mesmo que eu me tornasse multimilionário da noite para o dia, e por isso vou continuar estudando. Publicidade e Propaganda é uma área em que poderei dar vazão à minha criatividade e futuramente poderá ser ajustada à minha grande paixão que é o pôquer, podendo inclusive ocupar um espaço maior em minha vida do que ele. Com dedicação integral ao jogo, hoje tenho condições de me sustentar e inclusive pagar uma faculdade. 40 a 50 horas por semana é o que eu gastaria num emprego convencional – fora os translados de ônibus ou metrô – para ganhar 4 ou 5 vezes menos do que vou ganhar jogando. Me parece burrice. É claro que se o emprego for na área de publicidade, estou disposto a trabalhar até de graça, e aí tenho certeza de que meus pais não vão hesitar em me dar uma mãozinha. Caso contrário, meu emprego será grindar quatro a oito mesas, oito horas por dia, seis dias por semana, o fascinante Texas Holdem.
De agora em diante tudo que peço a Deus é que saúde nunca falte, que a sorte eu mereça e que a sabedoria em mim impere.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
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6 comentários:
Depois de 2 anos de IPN, sai o melhor artigo(na minha opinião) já publicado pelo blog, mostrando a maturidade em relação ao Texas Hold'en.
Valeu Dinosaulo.
Que assim seja. Amém! :)
Creio que não entendo o quão difícil é este passo, mas sei que não será o talento sozinho que o levará ao sucesso, e sim a fé naquilo que se faz, nunca indagando se o caminho está errado.
É isso aí Dinossauro! O primeiro passo para atingir metas é definí-las como acaba de fazer. O resto vem com a batalha e um pouco da merecida sorte que citou. Suce$$o!
Grande abraço!
Isso ae dinao...
Tah na hr de tenta entra pro sng team pro 5 ;D
Boa sorte nessa nova etapa velho
abras
É ISSO AI AMIGÃO!VAI EM FRENTE NA NOVA FASE DA SUA VIDA QUE SEI E ACREDITO QUE SERÁ VITORIOSA,VC É BOM RAPA,VAI A LUTA...FÉ EM DEUS E PÉ NAS ESTRADA....COMO VC MESMO DISSE EU CONCORDO EM GENERO NUMERO E GRAU:QUE A SABEDORIA INPERE,É ISSO AI!!!!.E QUERO TE VER LÁ NO JÔ EM AMIGO CELEBRIDADE DO POKER CONTANDO A SUA HISTÓRIA,E DEPOIS QUE A BUFUFA FLUIR ESTOU AI PRA AQUELA NOSSA SOCIEDADE NA NOSSA LINDA E FAMOSA CASA NOTURNA....UHULLLLL...TO VENDO TUDOOOO O FUTURO A NOIS PERTENCEEEEE....E ACREDITO QUE JUNTOS TODOS ESTAREMOS LÁ NO TRIUNFO!!!!QUE OS ANJOS DIGAM AMÉM HJ E SEMPRE!!!!!SAÚDE E SUCESSO DINOSAULO....É NOI!!!GOOD GAME!!!GOOD VIBE!!!!SAUDADES...BJOS...
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